domingo, 25 de abril de 2021

O Abril dos Bilderberg

 


«Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, quando as chaimites chegam ao Terreiro do Paço lideradas por Salgueiro Maia, deparam-se com navios de guerra no estuário do Tejo, sobre os quais se desconhecia a lealdade. Seriam fiéis ao regime marcelista? Ao movimento dos capitães? Ou a nenhum deles? Foi debaixo de tensão, depois de se aperceberem dos gigantes nas águas, que os "capitães de Abril" entraram pelo edifício pombalino para prender ministros fiéis ao regime - que conseguiram escapar por um esconderijo. Se os navios que estavam no Tejo (eram afinal contratorpedeiros e fragatas canadianas ao serviço da NATO) tivessem aberto fogo, tudo se poderia ter transformado numa carnificina e a revolução dos cravos teria sido, senão ineficaz, pelo menos mais sangrenta. Isto apesar de os capitães não estarem absolutamente desprotegidos, já que três batalhões de Vendas Novas ocuparam posições junto ao Cristo Rei, em Almada, com o objectivo de abater a tiro qualquer coluna que atravessasse a até aí designada Ponte Salazar ou qualquer navio que se revelasse hostil às forças revolucionárias. Mas
o que tem, afinal, Bilderberg a ver com isto?

Três dias antes do 25 de Abril, já Bilderberg estava na posse de informações de que o movimento dos capitães ia tentar um golpe de Estado em Portugal. Decidiu nada fazer, embora tivesse poder para isso, via NATO. Esta informação é, inclusivamente, dada como válida pelo Centro de Documentação 25 de Abril, que integra este pormenor nos detalhes do dia da revolução.

 

Foi o jornalista Martinho Simões que, em 1978, no prefácio do livro A destruição da lealdade: um estudo da ameaça da propaganda de Anthony Burton, (Abril, 1978), abordou pela primeira vez o assunto. Escreveu Martinho Simões:

"Na reunião de 1974, realizada de 19 a 21 de Abril em Megève, participaram Nelson Rockefeller, governador do Estado de Nova Iorque; Frederick Det, secretário americano para o Comércio; general A. Goodpaster, comandante das Forças Aliadas na Europa; Denis Healey, ministro das Finanças inglês; Joseph Luns, secretário-geral da NATO; Richard Foren, presidente da General Electric para a Europa; Helmut Schmidt, na época ministro das Finanças alemão; Giovanni Agnelli, presidente da Fiat".

No fundo, o jornalista elenca algumas das pessoas mais relevantes à época, no mundo político e empresarial, que participaram no evento de 1974, onde não havia portugueses. Além dos referidos, ainda marcaram presença figuras como Gerhard Schröder, mais tarde chanceler alemão, ou o banqueiro e filho de Edmond Rothschild, Edmond Adolphe Rothschild.


    Apesar de não haver qualquer presença lusa, alguns responsáveis norte-americanos (eram 22 neste encontro) e da NATO tinham várias informações que chegaram por via do embaixador norte-americano em Lisboa, Stuart Nash Scott. São raros os encontros de Bilderberg ao longo da sua história em que o secretário-geral da NATO não está presente. E 1974 não foi excepção. O holandês Joseph Luns - que havia assinado com o seu punho o Tratado de Roma em nome da Holanda, em 1957 - foi uma das figuras de maior destaque presentes na reunião. Enquanto diplomata, Luns estivera durante a II Guerra Mundial em…Portugal.

O jornalista Martinho Simões acredita que "a presença de Luns terá determinado o comportamento da NATO no desenrolar do golpe militar de Lisboa". E recorda como, três dias depois do encontro, a NATO foi conivente com o golpe:

"No dia 24 de Abril, diversas unidades da NATO chegaram ao porto de Lisboa. Elas deveriam tomar parte nas manobras aeronavais Dawn Patrol, programadas para o dia 26, no Mediterrâneo. Mas poucas horas antes de ser oficialmente anunciada a mudança do regime português, as manobras foram canceladas e os navios de guerra portugueses puderam regressar a Lisboa e anunciar a sua adesão ao MFA (Movimento das Forças Armadas”.

E continua:

"Não será demais pensar que a presença das unidades da NATO em Lisboa tinha como objectivo servir de elemento de dissuasão contra qualquer tentativa 'contra-revolucionária' dos generais".

O Centro de Documentação 25 de Abril interpreta os acontecimentos dizendo que, no encontro de Bilderberg, realizado em Megève, França, "ter-se-á tomado conhecimento da iminência de alterações políticas em Portugal e decidido não contrariar a evolução dos acontecimentos, crendo que uma mudança política poderia conduzir ao liberalismo económico". O jornalista Martinho Simões conclui dizendo:

"Nas suas linhas gerais, portanto, o golpe de 25 de Abril é, por um lado, tecnicamente preparado por duas centenas de capitães; por outro lado, é aceite e facilitado pela conivência do capitalismo anónimo [ler: Bilderberg”.

O Clube viria, no entanto, a ficar desiludido com o rumo que os acontecimentos tomaram mais tarde:

"Em sua evolução posterior, foram os capitães 'vermelhos' e não os moderados que se apoderaram do poder, desse modo frustrando as expectativas do Clube de Bilderberg”.

Rui Pedro Antunes («Os Planos Bilderberg para Portugal»).

Pormenores de uma revolução que nunca aconteceu, o que aconteceu na realidade foi um golpe corporativo que serviu para ocultar a maior traição da história à Nação portuguesa, uma mentira, mentira essa que após 46 anos muitos ainda desconhecem, uns por deformação mental, neste caso os perfeitos imbecis ditos de esquerda democrática e por outro lado aqueles que continuam a aceitar tudo passivamente a coberto da sua ignorância!!!

Enfim, e assim escavacaram um império, mataram um país e escravizaram uma nação!

Quem sou eu para julgar, pelos vistos continuam a gostar e a aplaudir tudo aquilo que não compreendem, um povo ignorante nunca sairá das trevas, será eternamente um povo escravo, um povo à mercê de políticos e interesses obscuros.

Alexandre Sarmento

Setembro 03, 2020 

sábado, 24 de abril de 2021

A carta do Coronel - Operacional do 25 de Abril (cópia da carta enviada aos membros dos grupos parlamentares)


Excelentíssimos e ilustríssimos membros dos Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da República Portuguesa.

Eu, abaixo-assinado, Américo José Guimarães Fernandes Henriques, Coronel de Infantaria “Comando” na situação de Reforma, venho através desta carta mostrar a todas Vossas Excelências o quanto a vossa prestação ao serviço do Povo Português, de quem sois os mais legítimos representantes, me tem impressionado, comovido e motivado.

Operacional do 25 de Abril de 1974, conspirador no planeamento do Movimento das Forças Armadas (foi em minha casa que o então Major Otelo Saraiva de Carvalho fez a ultima reunião antes da Revolução) participante nas acções comandadas pelo então Major Jaime Neves, dei ao 25 de Abril o melhor de mim próprio, a minha alma de Português, Patriota e Militar, sem olhar ao risco da minha vida, da minha família e da minha carreira.

Sabia a razão da minha revolta, abraçava com imensa fé a minha escolha e aceitava plenamente as consequências dos meus actos.

Conscientemente, arriscava tudo para poder devolver ao Povo Português o direito de decidir do seu destino, a par do direito de se pronunciar livremente sobre a continuação da nossa secular presença em Africa e da sua participação numa obra política magnífica, que levasse, de uma forma pacífica e nobremente aceite, os mais ricos a serem um bocadinho menos ricos, para que os mais pobres fossem um “bocadão” menos pobres.

Passaram quarenta anos sobre aquelas duas horas da tarde do dia 24 de Abril de 1974, em que eu, então um jovem Tenente chegado de Moçambique, iniciei a minha participação no Movimento, enquadrado num pequeno grupo de Oficiais instrutores da Academia Militar, todos eles tão devotadamente empenhados naquela Missão Histórica quanto eu estava, todos eles tão romanticamente crentes como eu era, todos eles tão Portugueses e tão Patriotas quanto eu sou.

E passaram quarenta anos em que praticamente tudo aquilo que me levou a sonhar e a participar, a arriscar e a sofrer (fui preso no 11 de Março de 1975 como um perigoso fascista, tive a casa assaltada e a família roubada na reforma agrária, vi os meus tios e primos retornados de Africa... participei no 25 de Novembro) praticamente tudo, TUDO, miseravelmente traído, corrompido, destroçado, pela incompetência, pela leviandade, pela ausência de valores e pela maldade do bando de hipócritas e de salafrários a quem, inocentemente (mas nem todos...) abrimos as Portas de Portugal.

E passaram quarenta anos em que a Democracia Portuguesa evoluiu para a “partidocracia”, para aquela feira de vaidades manhosa e corrupta a que o Senhor D. Pedro V chamava (e bem!!!) “canalhocracia”, e onde o Poder Politico, sem perguntar NADA a NINGUÉM, nos foi metendo na “alhada” mais vertiginosa da nossa História, dessa mesma História que foi negada ao conhecimento de duas gerações de Portugueses por decisão desse mesmo Poder Politico, dessa mesma História que hoje vê Portugal tratado abaixo de cão, insultado na praça pública, devedor de chapéu na mão e ultrajado, miseravelmente ultrajado dentro da própria casa, por um bando de lacaios de uma potência estrangeira.

 

Excelentíssimos Senhores,

Ciente de que o meu grito de revolta vos vai passar alegremente ao lado, e de que a vossa preocupação constante na condução perfeita e justa dos destinos da Pátria Portuguesa não vos deixará um minuto sequer para meditar sobre a revolta deste Militar reformado que vos importuna o trabalho, apenas vos peço que anoteis na vossa agenda de assuntos marginais que um dos homens que arriscou a vida, a família e a carreira, para vos ter sentados nas cadeiras do Poder e nas bancadas do Parlamento, está muito zangado com todas Vossas Excelências, e só reza a Deus pelo dia em que (de forma pacifica é claro!!!!) veja Vossa Excelências pelas costas, e a prestar contas à Nação Portuguesa.

Atentamente e com a devida consideração a) Américo José Guimarães Fernandes Henriques
Coronel de Infantaria (Cmd) Reformado

(Publicado em 28/10/2013)


 

terça-feira, 20 de abril de 2021

A Guerra do Ultramar...O Esforço de Guerra Português num Estudo de John Cann, financiado pelo Kings College de Londres.

 1. Especialistas ingleses e norte-americanos estudaram comparativamente o esforço das Nações envolvidas em vários conflitos em simultâneo, principalmente no que respeita à gestão desses mesmos conflitos, nos campos da logística geral, do pessoal, das economias que os suportam e dos resultados obtidos.

Um deles, o americano John P. Cann, aquele que mais escreveu sobre o esforço de guerra português num estudo financiado pelo Kings College de Londres, chegou a várias conclusões.

Assim chegou à conclusão que em todo o Mundo só havia 2 Países que mantiveram 3 Teatros de Operações de Guerra em simultâneo: 

A poderosa Grã-Bretanha, com frentes na Malásia (a 9.300 Kms de 1948 a 1960 - 12 anos); no Quénia (a 5.700 Kms de 1952 a 1956 - 4 anos); e em Chipre (a 3.000 Kms de 1954 a 1959 – 5 anos), e o pequenino PORTUGAL, com frentes na Guiné (a 3.400 Kms), Angola (a 7.300 Kms) e Moçambique (a 10.300 Kms) de 1961 a 1974 (13 anos seguidos).  

Estes especialistas chegaram à conclusão que PORTUGAL dadas as premissas económicas, os seus recursos, a sua pequenez, as dificuldades logísticas para abastecer as 3 frentes, bem como a sua distância, a vastidão dos territórios em causa, e a enormidade das suas fronteiras, foi aquele que melhores resultados obteve.

Consideraram por último, que as performances obtidas por PORTUGAL, se devem sobretudo à capacidade de adaptação e sofrimento dos seus recursos humanos, à sobrecarga que foi possível exigir a um grupo reduzido de quadros dos 3 Ramos das Forças Armadas, comissão atrás de comissão, com intervalos exíguos de recuperação física e psicológica e às centenas de milhares de jovens que durante 13 anos combaterem naqueles territórios. Isto são observadores internacionais a afirmá-lo.

Estes homens que serviram durante 13 anos na Guerra do Ultramar, nos 3 Teatros de Operações, só pelo facto de aguentarem este esforço sobre humano que se reflecte necessariamente em debilidades de saúde precoces, mazelas para toda a vida, invalidez total ou parcial, e morte, tudo ao serviço da Pátria, merecem o reconhecimento da Nação, que jamais lhes foi dado.

2. Em todo o mundo civilizado, e não só em Países Ricos, cidadãos protagonistas dos grandes conflitos e catástrofes com eles relacionados, vencedores ou vencidos, receberam e recebem por parte dos seus Governos, tratamentos diferenciados do comum dos cidadãos, sobretudo nos capítulos sociais da assistência na doença, na educação, na velhice, e na morte, como preito de homenagem da Nação àqueles que lutaram pela Pátria, com exposição da própria vida.

Por todo o Mundo se veneram, recordam, imortalizam e se homenageiam os soldados que combateram em teatros de guerras, sejam eles vencedores ou vencidos. São às centenas os memoriais, as estátuas e os cemitérios onde repousam os que morreram em combate. Seria fastidioso citar todas as regiões planetárias onde isso acontece. Muitos dos nossos mortos foram abandonados nos territórios africanos, pelos sucessivos governos pós 25 de Abril e encontram-se sepultados aqui e ali como se de animais se tratassem.

Em PORTUGAL - Somos os únicos que não seguem os exemplos generalizados do tratamento diferenciado aos que serviram a Pátria em combate. E pior ainda. O cúmulo dos cúmulos. Quem combateu é censurado, vilipendiado e ostracizado. Pelo contrário os traidores/desertores, muitos dos quais fugiram e foram viver com mordomias de príncipes e outros que ainda hoje pululam no sistema político vigente, apelavam à morte dos soldados portugueses.

 


 

Carlo Acutis, o jovem contemporâneo “influenciador de Deus”.

  Atente-se na história de vida deste jovem santo contemporâneo, Carlo Acutis , o jovem adolescente italiano conhecido como o “ influenciad...