O Movimento dos Capitães, que mais tarde
deu origem ao Movimento das Forças Armadas (MFA), foi um movimento de
contestação de capitães e outros oficiais subalternos do Quadro Permanente das
Forças Armadas.
O que contestavam?
O regime e a guerra colonial?
Falso. Contestavam que os oficiais milicianos fossem integrados no Quadro Permanente se o desejassem depois de ter cumprido serviço militar obrigatório no Ultramar, pelo simples facto de não terem frequentado a Academia Militar.
Não frequentaram a Academia, mas na guerra colonial eram eles que davam o "coiro" no teatro de operações e tinham quase todos formação universitária. Bem vistas as coisas, tinham melhor formação que os "meninos" da Academia que nunca iam à guerra propriamente dita e ficavam com o rabinho no Quartel General ou nas sedes de Batalhão. Tinham teorias da Academia, mas faltava-lhes as técnicas de combate da guerra de guerrilha que os oficiais milicianos tinham como comandantes de pelotão ou de companhia, que eram "carne para canhão".
O partido comunista português bem organizado infiltrou-se nas forças armadas e aproveitou este descontentamento ou dor de corno, se apropriadamente lhe quiserem assim chamar.
Capitães de Abril derrubaram o regime! Não me lixem (aqui não quero usar a linguagem militar). O PCP serviu-se dos oficiais das Forças Armadas para derrubar o regime. Não houve tiros nem mortes, pois não, nem foi preciso, o regime tinha apodrecido e o descontentamento do povo era grande porque lhe morriam os filhos na guerra. Esses mortos eram jovens mal preparados, com armamento obsoleto, mas não eram oficiais do Quadro.
Eu andei lá, era oficial milicianíssimo, estive na Guiné, no mato, comi o pão que o diabo amassou, morreram dois homens do pelotão que comandava, tive feridos e alguns ficaram inválidos. O comandante da minha companhia, capitão miliciano, ficou sem uma perna no dia de natal de 1973.
Resumindo, os oficiais do quadro tinham a teoria e os milicianos tinham a prática.
Era justo que os que quisessem seguir a carreira militar fossem integrados nos quadros.
Sumariando, podemos dizer que a génese
do 25 de Abril esteve numa "dor de corno" que o PCP oportunamente aproveitou.
O resto é o que já vos contaram...
Joaquim Domingues dos Santos
Ex-Alferes Miliciano de Cavalaria 11741672
