quinta-feira, 25 de abril de 2019

O 25 DE ABRIL FOI CONSEQUÊNCIA DUMA «DOR DE CORNO»

 

O Movimento dos Capitães, que mais tarde deu origem ao Movimento das Forças Armadas (MFA), foi um movimento de contestação de capitães e outros oficiais subalternos do Quadro Permanente das Forças Armadas.

O que contestavam?

O regime e a guerra colonial?

 


Falso. Contestavam que os oficiais milicianos fossem integrados no Quadro Permanente se o desejassem depois de ter cumprido serviço militar obrigatório no Ultramar, pelo simples facto de não terem frequentado a Academia Militar.

Não frequentaram a Academia, mas na guerra colonial eram eles que davam o "coiro" no teatro de operações e tinham quase todos formação universitária. Bem vistas as coisas, tinham melhor formação que os "meninos" da Academia que nunca iam à guerra propriamente dita e ficavam com o rabinho no Quartel General ou nas sedes de Batalhão. Tinham teorias da Academia, mas faltava-lhes as técnicas de combate da guerra de guerrilha que os oficiais milicianos tinham como comandantes de pelotão ou de companhia, que eram "carne para canhão".

O partido comunista português bem organizado infiltrou-se nas forças armadas e aproveitou este descontentamento ou dor de corno, se apropriadamente lhe quiserem assim chamar.

Capitães de Abril derrubaram o regime! Não me lixem (aqui não quero usar a linguagem militar). O PCP serviu-se dos oficiais das Forças Armadas para derrubar o regime. Não houve tiros nem mortes, pois não, nem foi preciso, o regime tinha apodrecido e o descontentamento do povo era grande porque lhe morriam os filhos na guerra. Esses mortos eram jovens mal preparados, com armamento obsoleto, mas não eram oficiais do Quadro.

Eu andei lá, era oficial milicianíssimo, estive na Guiné, no mato, comi o pão que o diabo amassou, morreram dois homens do pelotão que comandava, tive feridos e alguns ficaram inválidos. O comandante da minha companhia, capitão miliciano, ficou sem uma perna no dia de natal de 1973.

Resumindo, os oficiais do quadro tinham a teoria e os milicianos tinham a prática.

Era justo que os que quisessem seguir a carreira militar fossem integrados nos quadros.

Sumariando, podemos dizer que a génese do 25 de Abril esteve numa "dor de corno" que o PCP oportunamente aproveitou. O resto é o que já vos contaram...

 

Joaquim Domingues dos Santos

Ex-Alferes Miliciano de Cavalaria 11741672



segunda-feira, 25 de abril de 2016

0 25 DE ABRIL DE 74, ENTRE O MITO E A REALIDADE


O 25 de Abril comemora este ano o 42º aniversário da "Revolução dos Capitães". Recordo-a, tal como a viveu o Capitão, que eu era então...

Efectivamente, a Revolução foi feita pelos Capitães do Quadro Permanente das Forças Armadas, organizados num movimento que se mobilizou, única e simplesmente, por razões particulares de carácter exclusivamente profissional e não, por quaisquer outros motivos, ou ideais mais nobres e elevados.

Esta foi a realidade em que participei.

 

A outra, a ..dos livros e contos de fadas.. que fala de alegada revolução pela democracia e liberdade, aprendi-a depois na banha da cobra política.

 

Entretanto, a História mitificou o 25Abr74, criando até uns heróis, de circunstância, para uso político e gáudio do povoléu, sucessivamente queimados no percurso, (as revoluções devoram sempre os seus próprios filhos, caso do Otelo S. de Carvalho e outros...)

 

Deles restam dois ou três "zombies", folcloricamente exibidos, para povo ver, nos eventos Abrilistas; vamos vê-los de novo amanhã.

 

Em Ago73, EU, recém-chegado de Angola, fui convidado para tomar parte em reuniões de capitães oriundos da Academia Militar, com o objectivo de reivindicar a revogação de dois decretos-leis, acabados de publicar, cuja implementação prejudicava as promoções desses capitães (sendo eu um dos prejudicados), em benefício dos oficiais milicianos que, entretanto, tinham também frequentado a Academia Militar, em condições especiais.

 

Foi esta a única e verdadeira razão do movimento dos capitães; estive em todas as reuniões e recolhi assinaturas nos quartéis, para um abaixo-assinado entregue aos então Presidentes do Conselho e da República, os quais prometeram suspender os decretos, mas não revogá- los, como tal, o movimento continuou.

 

Parte da "oposição" ao regimen sofria então os "horrores" dos auto exílios dourados, na "dolce vita" de Paris e Moscovo, subsidiados pelos inimigos de Portugal, sedentos estes de apanharem as imensas riquezas das nossas províncias além-mar, através das suas independências, por eles exigidas, alegando hipócritas preocupações com os direitos dos povos ultramarinos.

 

Tal gente, os exilados, conhecedora do descontentamento dos capitães, fez o aproveitamento revolucionário do movimento, politizando alguns oficiais mas, até Fev74, nas reuniões a que assisti, nunca se falou de políticas; face à casmurrice do regimen , falava-se já sim em "soluções de força", se necessário, para obrigar o governo a revogar os tais decretos e só.

 

Embora umas poucas cabeças do movimento tenham sido manipuladas e politizadas do exterior, a maioria dos capitães nunca o foi; assim, a generalidade destes ( 99%) foi ludibriada em todo o processo, tal como EU, embora hoje digam outra qualquer coisa, supostamente mais "nobilitante" e politicamente mais adequada.

 

Em Fev74 fui para Moçambique e o 25Abr74 apanhou-me já algures no mato, comandante duma companhia de paraquedistas.

 

Foi o Administrador de Posto local que trouxe a novidade, informando ser o general Spínola o novo "Presidente" do País, militar de quem se dizia ser um "cabo-de-guerra" a sério; formei a companhia para informação, e o meu "analfabetismo político" disse-lhes a seguinte "barbaridade":-

 

"Meus senhores, agora com o General Spínola à frente do País, é que nós vamos fazer a guerra a valer, e resolver isto rapidamente...".

 

Santa inocência a minha, e não só, acerca do tal "cabo-de-guerra" Spínola, afinal uma ilusão e um general de opereta, que resignou da Presidência da República e das suas responsabilidades, por causa duma simples manifestação, dita da maioria silenciosa, em 27 SET74 e, mais tarde, fugiu para Espanha no 11Mar75, abandonando cobardemente o País nas mãos dum Primeiro-ministro absolutamente louco e dum bando de jovens oficiais (meus conhecidos), movidos por oportunismos e ambições pessoais cegas, disfarçadas de ideais democráticos pró soviéticos, assimilados à pressa em livros de bolso.

 

Manipulados por raposas civis sedentas de poder e vindas de "exílios dourados", estes oficiais conduziram o País à tragédia criminosa da descolonização, às nacionalizações e ao sindicalismo selvagem arrasadores da economia nacional, e a uma quase "guerra civil", que só não aconteceu, porque tal contrariava os interesses da União Soviética pois, como

H. Kissinger então afirmava, Portugal transformar-se-ia na vacina anti comunista da Europa.

 

Todo o processo revolucionário pós Abril foi pois comandado do exterior por interesses estrangeiros, levados à execução por uns tantos inocentes úteis, os bíblicos puros de espírito, crentes em ideais, ora mortos e proscritos e, principalmente, por uma maioria de meros oportunistas civis e militares, que venderam o País a troco de trinta dinheiros.

 

Pelo percurso ficaram incidentes historicamente vergonhosos e criminosos, como o 11Mar75, (versão oficial falsa), os excessos do verão quente de 75, o 25Nov75, o indigno "assassinato" de 500 anos de História Pátria, a ruína do País, etc... em contrapartida, ganhámos em "liberdade e democracia", até hoje, mais usadas contra, do que a favor dos portugueses.

Pouco informado politicamente à data do 25Abr74, acreditei ainda por um mês na revolução; entretanto, a tal nova "liberdade" instalava nos quartéis, em nome da "democracia", o terror dos saneamentos selvagens, as prisões arbitrárias de militares em Caxias e as ameaças de fuzilamentos (Assembleia selvagem do MFA em 11Mar75, Otelo e a ameaça do Campo Pequeno); por tudo isto, muitos militares puderam apenas ser observadores amordaçados do processo revolucionário.

 

Atingido o objectivo imediato e principal dos verdadeiros mentores civis e pró Moscovo da revolução, entregues que foram as nossas "colónias" às independências soviéticas, e à ganância da exploração das suas matérias-primas, pelas potências ditas "amigas" de africanos e revolucionários, interessava que o País regressasse a uma certa normalidade interna, conseguida com o tal 25Nov75, tendo esta assumido uma forma mais "benigna de democracia", permitindo a quase normal liberdade político partidária.

 

Esta normalidade democrática pós 25Nov 75, por sua vez, colocou em cena e exibição contínua, as inesquecíveis e tragicómicas "democrato novelas" à portuguesa que temos vivido, com actores políticos soberbos e temas diversos, que vão das politiquices mais rasteiras à fabricação permanente de tachos, das reformas de tudo e nada, às leis para constar e não aplicar, das incontáveis e imensas corrupções prescritas e absolvidas, ao criminoso aumento da dívida pública e ao suicida déficit interno e externo, etc.

 

Entretanto, salvos que temos sido da falência total do Estado, pelas reservas em ouro herdadas do fascismo, pelos milhões da União Europeia, pela venda total do património e endividamento público astronómico e, estando tudo já esgotado, chegou o tempo dos portugueses acertarem as contas com a realidade e com a História.

 

Mais uma vez, é o povo que está e vai a pagar em desemprego, terrorismo fiscal, miséria, criminalidade, emigração, fome, etc... os roubos e crimes políticos das ditas élites.

 

De positivo ficou-nos esta notável "democracia parlamentar", sofisticada na pose e na forma, esplendorosa em benesses e regalias únicas e sumptuosas, orgulho do povo, que nela se revê como qualquer "puta" no seu chulo, e que nos conduziu já a níveis de desenvolvimento, sem precedentes, recuando-nos para a cauda da Europa e para a iminência do colapso económico e financeiro.

 

Uma democracia de etéreas preocupações acerca de si própria, e que de tanto exorcizar reaccionarismos e "economicismos", se esqueceu de construir uma economia sólida, geradora de riqueza e postos de trabalho para o povo.

"Onde não há emprego, não há pão e, onde não há pão, não há liberdade nem democracia". A liberdade e a democracia começam na barriga.

E Portugal tem fome e muita, um em cada cinco portugueses passa fome.

 

As revoluções em Portugal foram sempre feitas de lirismos ardentes, conspirados em noites de boémias e tabernas, casernas e academias, lirismos esses vertidos e bebidos de catecismos políticos em moda no momento e seduzindo juventudes, na época, com


pedófilos e poéticos maoísmos logo transmutados em ultraliberalismos, ao esfumarem-se no confronto com a realidade da vida e com os oportunistas corruptos, que sempre os cavalgaram e prostituíram.

O 25Abr74 não fugiria nunca a este fatalismo nacional.

 

A gravíssima crise em que o País está mergulhado é apenas o previsível pesadelo em que se transformou o outrora sonho de "Abril Sempre".

Este ano mais uma vez comemorado, de novo será sonhado em cravos que, em 74, eram vermelhos de esperança e, hoje, são vermelhos sim, mas com o sangue dos muitos milhares de portugueses assassinados Àfricas fora pelo 25 Abr74, e vermelhos dos mares de lágrimas de sangue choradas por todos os desempregados, emigrados, sem abrigados, esfomeados, aterrorizados fiscais, desesperançados, desfuturados... tudo isto consequência daquilo que o dito dia da liberdade nos trouxe...

 

Paga Zé, pois os vendedores de promessas e sonhos, esses, têm os seus "sonhos de Abril" a bom recato nos off shores do Mundo da Democracia e da Liberdade deles.

JOSÉ LUÍS DA COSTA SOUSA

sábado, 25 de abril de 2015

Em defesa da História

Estava de pé e ela sentada, contava-lhe factos políticos históricos, e ela jovem, vinte e poucos, cara expressiva, modos despachados, esperta mas pura, resposta pronta nem sempre pensada, fitava-me presa e desconcertada, eram tantas as surpresas sobre o que lhe tinham dito e falado, olhos vivos, arregalados, e interrompia-me como já o fizera amiúde e de seu modo impulsivo e dizia-me «já há tantas associações por isto e por aquilo, porque não criar uma Associação para a Defesa da História?» e interrompi-me, agora eu, suspenso naquela ideia original, que nunca me atravessara, tão oportuna e necessária para este país, para esta geração e neste tempo, revirei-a, meditei-a por instantes e como quem lhe passa pelas mãos uma causa que não pode segurar respondi-lhe: «realmente é uma excelente ideia, mas eu já tenho tanta coisa que não posso, pode ser que alguém se lembre e eu adiro».  Chama-se Raquel. São estes filhos que um dia haverão de repor a verdade. No dia seguinte tinha um e-mail dela: «Luís, não me consigo conformar com esta “história”… Se tivesse capacidade era eu própria que constituía a Associação, movimento, grupo, qualquer coisa! Reunia os vivos que pudessem testemunhar, pesquisava os escritos do meu avô, registos, cartas, enfim! Qualquer coisa! Estou indignada e até afectada! Sinto-me enganada, traída e abusada! Como é possível!?!? Não me sai da cabeça…! Reli o e-mail. Tristeza e esperança. Tristeza pela impotência, que sou, esperança pela semente, que será.

E depois, ainda em 2008: Não mintam mais aos nossos filhos!

Esta é a minha pequeníssima contribuição, mas já é alguma, para o movimento de indignação nacional”, que entendo da maior importância e oportunidade por estes finais de Abril. Antes disso, porém, gostaria de à laia de preâmbulo deixar duas notas.

A primeira refere-se à construção da História, não a dos factos genuínos realmente acontecidos, mas a da versão falseada que sobre eles se edificou. Como sabemos a história é dos vencedores e não dos vencidos, destes não reza a história, como é comum dizer-se, quer isto significar, que os vencedores materiais, de factu e com toda a probabilidade não de jure, forjam a contorção que mais lhes convém para justificarem a si próprios e ao mundo o porquê dos actos empreendidos, a qual versão passa a ser desde então a oficial. E quanto mais a vitória é imoral ou injusta, caso houvesse lugar a aplicar tão cândidos conceitos no contexto do poder e da força, maior é a mentira dos vencedores. Sempre foi assim e continuará a ser. Já na antiguidade dizia Breno, célebre caudilho gaulês que derrotou e saqueou Roma no ano de 390 a.C., vae victis! Ai dos vencidos!

É preciso que passe a geração dos vencedores e fazedores da História para que aos poucos e poucos a verdade aprisionada comece a libertar-se. Muitas vezes é necessária mais do que uma geração, tão enraizada na cultura oficial foi a mentira, e é sempre dramática a revelação da realidade porque fatalmente acabará por opor pais e filhos, os pais porque autores ou cúmplices de um legado falso, os filhos porque descobrem ser vítimas de um embuste.

Ora desta falsificação da História não se escaparam nem Portugal nem os portugueses no que se refere quer ao 25 de Abril, quer ao processo de descolonização. A história que nos tem sido contada pelos seus protagonistas e afins, geração ainda viva, está cheia de mentiras, pelas razões óbvias de tentar esconder a verdade sobre si próprios, de quem eram, e de justificar à luz de ideais não existentes, porque o fizeram.

Desta geração, há uns que viveram a História e conhecem a verdade, mas não têm assento, nem voz, há outros que também a viveram e torcem a verdade, por exclusivas razões de má consciência ou de outra forma perderiam respeito por si próprios, e há muitos outros que não sabendo minimamente do que falam, ou papagueiam o discurso disciplinado do politicamente correcto, ou ainda, por maior zelo de conveniência, mais inventam. Que os segundos tenham mentido a si próprios e à sua geração é grave, que os terceiros, meros fantoches daqueles, os imitem na mentira, continua ser grave, mas agora que ambos mintam descaradamente aos seus filhos, isso já é intolerável.

O mal está feito, em muitos casos irreparável, o tempo não retrocede, a história é assim, não há uma história perfeita, os vencedores mentiram, esconderam-se na falsidade, não tiveram a coragem da verdade, foram cobardes, hoje poderão não ter ainda a bravura do arrependimento e da confissão, o homem é fraco, mas há uma coragem mínima que lhes é exigida, não mentirem mais aos seus e aos nossos filhos. Se não a tiveram para si que a tenham pelo menos para os seus filhos! Chega de história política, é tempo da verdadeira História.

E termino aqui a primeira nota, longa, mas necessária.

Quanto à segunda é uma precaução que infelizmente se justifica na previsão da fuga de certos leitores facciosos, intelectualmente desonestos, que não tendo argumento que pese procuram desviar as atenções para o lugar-comum dos rótulos ideológicos apressados. São estes os caciques que depauperados de toda a imaginação, enchem a boca das palavras, reaccionário, fascista, colonialista etc.

Mas desenganem-se tais enganadores, pois provavelmente sou na prática da vida mais apologista da autodeterminação dos povos, que outra coisa não poderia patrocinar em coerência com a defesa dos direitos humanos elementares de que me tenho constituído acérrimo combatente, do que muitos daqueles serão mesmo em teoria.

E por isso podem pois esses senhores abster-se dessas fabulações descabidas.

 LCA

(Abril/2008)


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Carlo Acutis, o jovem contemporâneo “influenciador de Deus”.

  Atente-se na história de vida deste jovem santo contemporâneo, Carlo Acutis , o jovem adolescente italiano conhecido como o “ influenciad...