sexta-feira, 18 de setembro de 2020

IRMANDADES SECRETAS EM PORTUGAL

Irmandades secretas e perversas


Uma das mais poderosas sociedades de advogados nacional, a PLMJ, foi recentemente investigada no caso da “Máfia do Sangue”. Um dos seus sócios foi mesmo constituído arguido. Dois dos seus mais proeminentes representantes são José Miguel Júdice e Nuno Morais Sarmento, ambos advogados, políticos e comentadores televisivos, na RTP e na TVI. Nos seus programas semanais, ambos fugiram ao tema escaldante da corrupção nos negócios do sangue, com a cumplicidade dos jornalistas que, embevecidos, os entrevistavam.

Este é um modelo que representa o “modus faciendi” das sociedades de advogados. Usam a sua posição de comentadores nas televisões a seu bel-prazer para defender os interesses dos seus clientes e camuflar a informação negativa. Exemplos de personalidades de tripla face (políticos, comentadores e advogados) são muitos. Temos, assim, António Vitorino, sócio da firma “Cuatrecasas” ou Marques Mendes, da toda-poderosa “Abreu Advogados”.

Sociedade igualmente relevante no panorama português é a “Morais Leitão, Galvão Teles Soares da Silva e Associados”. Lança jovens na política e no Direito como os ex-governantes Assunção Cristas, Adolfo Mesquita Nunes ou Paulo Núncio. Ou o actual advogado/deputado do CDS Francisco Mendes da Silva. Os interesses dos seus clientes são defendidos no comentário político televisivo na SIC por Lobo Xavier que comenta toda a actividade política e económica sem que os telespectadores se apercebam das suas ligações ao Grupo Mota-Engil, ao BPI e a outros tantos interesses.

É também destas sociedades de causídicos que sai a legislação que mais prejudica os portugueses, como a das ruinosas parcerias público-privadas, elaborada na “Jardim, Sampaio, Magalhães e Silva”, a que dão corpo e nome os socialistas Vera Jardim e Jorge Sampaio. Vera Jardim, que debate na rádio com Morais Sarmento, da já citada PLMJ. E até os interesses estrangeiros mais obscuros são representados por estas sociedades. A “Uria Menendez” vem defendendo, através do todo-poderoso Daniel Proença de Carvalho os interesses de Eduardo dos Santos, Ricardo Salgado e Sócrates. Proença faz comentário político na rádio sem revelar quem serve. Preside à Administração do “Jornal de Notícias” do "Diário de Noticias" e pode assim censurar as vozes incómodas aos negócios dos seus clientes.

As sociedades de advogados são, em Portugal, as irmandades perversas do regime, as verdadeiras sociedades secretas. Fazem Leis, dominam a política, condicionam a comunicação social. E os seus membros actuam disfarçados.


Paulo Morais


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

“A herança de 18 anos de governação do PS”

Uma visão lúcida de um antigo dirigente do PS que qualifica as governações socialistas dos últimos vinte anos, como incompetentes, nepotistas e extremamente corruptas, governando apenas para os interesses que lhes convêm e pouco lhes importando o progresso do país e os portugueses. O homem sabe bem daquilo que fala, conhece muito bem aquilo por dentro.

“Alguns dos leitores do meu texto da semana passada, poderão certamente responder que, por alguma razão, o PS continua no poder, depois dos últimos 18 anos que tratei, que tem um nível de apoio nas sondagens invejável e que provavelmente assim continuará nos próximos anos. É verdade, mas é também e razão deste novo texto.

A primeira razão são as circunstâncias em que o PS chegou e se manteve ao poder, depois de quatro anos em Passos Coelho, a braços com a herança trágica de José Sócrates, assumiu que a sua missão principal, porventura a única, seria recuperar a credibilidade internacional e, sem grande experiência, ou interesse pessoal na pequena propaganda política, enveredou pela penalização da classe média e por um discurso de alguma insensibilidade geracional, humana e social. Apesar de ter tentado poupar os mais pobres.

Depois outra circunstância, a de depois de quarenta anos de oposição sistemática, o PCP se ter deixado enredar na geringonça, com a ideia que poderia avançar com algumas das suas prometidas conquistas, o que na prática conseguiu, ainda que através de um modelo económico insustentável e de um futuro eleitoral muito pouco promissor. Para o Bloco de Esquerda, a ambição dos dirigentes era o acesso ao poder por razões políticas, mas também de ambição pessoal e o desejo de ganhar eleitoralmente ao PCP.

Nada disto teve a ver com o futuro de Portugal, ou com a consciência de que não existe, a médio prazo, melhor protecção social sem melhor economia, questão que nos conduz ao presente.

Com a crise deixada por José Sócrates e a gestão política pouco hábil de Pedro Passos Coelho, os portugueses, principalmente da classe média, apanharam um grande susto, perderam rendimentos, passaram a ver o futuro com medo de não poderem manter o seu nível de vida e, apesar de ainda terem medo do PS, razão porque o PS não ganhou as eleições, começaram todavia a ser sensíveis a uma inversão das políticas que os assustavam e às promessas de António Costa, muito facilitadas pelo novo ciclo de crescimento das economias europeias e mundiais e do crescimento do turismo, além da nova política de apoio financeiro do Banco Central Europeu.

Além disso, a chegada próximo do poder do PCP e do Bloco de Esquerda, criou a ilusão de uma grande aliança de esquerda, com efeitos parlamentares efectivos e a criação de um ambiente de grande estabilidade, para o que muito contribuiu a imagem populista do Presidente da República.

Não menos importante, temos a relativa inocência do PSD de Rui Rio, que acredita poder servir Portugal ajudando o PS a governar melhor, o que obviamente não é possível, dado que há muito o PS perdeu de vista o interesse nacional para privilegiar os negócios que favorecem alguns dos seus aliados e financiadores, situação bem servida através da ilusão de algumas concessões à esquerda, destinadas a manter a geringonça viva e manter o poder.

Esta evolução teve como resultado amarrar o PCP e o Bloco de Esquerda às políticas e aos interesses do PS. Porque, como sabiamente foi dito, após as últimas eleições, por Augusto Santos Silva, o PCP e o Bloco não podem entregar, com o seu voto no Parlamento, o poder à direita. Visão facilitada pelo facto do centro direita não mostrar ser uma alternativa convincente e aceitar demasiadamente os erros e os desmandos da governação do PS. Razões que estão na origem do crescimento excessivo, para Portugal, do novo partido Chega. Ou seja, a extrema-direita vai crescer em Portugal devido aos erros do Governo e da venalidade do PS, além da passividade do PSD.

Estas são algumas das circunstâncias porque muitos portugueses, habitualmente mais preocupados com o presente do que com o futuro, aceitam a governação de forma positiva, ainda que passiva. Nomeadamente no tema da corrupção, que é uma herança inegavelmente do PS, seja pelo número de anos que o partido está no poder sem nada fazer para a combater, seja porque tem sido nos turnos do PS que a corrupção mais tem crescido, seja porque os pequenos e grandes casos envolvem membros do PS, uns mais ilustres do que outros, mas todos a comer na gamela do Estado.

Claro que esta não é uma situação sustentável, seja porque a União Europeia não nos vai sustentar para todo o sempre, seja porque as maldades feitas por António Costa às empresas e à liberdade económica têm custos, seja, finalmente, porque a corrupção vai corroendo o processo democrático. Apesar disso, não vejo que uma nova ditadura esteja no horizonte e não duvido que António Costa possa continuar a enrolar os problemas do País por mais algum tempo através da propaganda política e das circunstâncias descritas. Todavia não tenho grande dúvida de que o acordar dos portugueses vai ser muito doloroso, certamente mais doloroso do que no tempo do último pedido de ajuda internacional e da Troika e vejo à nossa frente alguns anos de grande convulsão social, bem como o crescente atraso de Portugal relativamente a todos os outros países da União Europeia.

Talvez que nessa nova circunstância o PCP, o Bloco de Esquerda e alguns extremistas que andam por aí, tentem fazer o que não conseguiram fazer a seguir ao 25 de Abril, mas isso já não é uma previsão, para ser apenas futurologia”.

 

21-08-2020

Henrique Neto

Diário de Coimbra



 


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Um Repugnante Mundo Novo


Neste vídeo, um deputado sueco analisa a situação que se vive naquele país e ilustra as diferenças tremendas que existem entre uma sociedade criada e formada com base no cristianismo e uma sociedade baseada no Islão.

Por causa destas diferenças tremendas, e contrariamente ao que nos têm andado a dizer, não é possível substituir um povo por outro completamente diferente, sem que hajam consequências e transformações drásticas na nossa sociedade.

A chamada “migração de substituição” irá produzir uma sociedade totalmente diferente daquela em que vivemos e essa transformação começa a ser visível, principalmente em países como a Suécia.



Uma sociedade ou civilização são a consequência dos povos que a constituem. As características de uma sociedade são o reflexo da cultura, da história e dos costumes dos membros dessa sociedade.

Substituir um povo por outro, oriundo de uma sociedade onde a violência e a intolerância são normais, irá tornar a sociedade acolhedora num meio violento e intolerante.

As pessoas não perdem hábitos de uma vida inteira só porque atravessaram uma fronteira…

Isto deveria ser óbvio e fácil de compreender para qualquer pessoa adulta e inteligente.

 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

O povo aplaude e vota em ladrões, agora chamados CORRUPTOS

Ao Ricardo Araújo Pereira:

“Senhor Ricardo Pereira,

Li ontem, com toda a atenção, o artigo que escreveu na última edição da “Visão”.

Versa o excelso artigo produzido sobre o tema que agora está na moda: – Quais os Portugueses que mais se evidenciaram ao longo da nossa história.

Ensaia V. Exa. ao longo do mesmo artigo um conjunto de afirmações sobre Oliveira Salazar. Quem lhe pagou e encomendou o artigo?

– Começa por afirmar a sua admiração pela sua inclusão na famosa “Lista”, compara-o a Adolfo Hitler e termina, afirmando, que, se Salazar ganhasse o concurso, seria a primeira vez que teria ganho umas eleições democraticamente. Perante o estilo leviano do artigo e a piadinha fácil, não me surpreende a comparação com A. Hitler. Surpreende-me, isso sim, que se tenha esquecido do óbvio.

O tal Adolfo foi eleito democraticamente na Alemanha. E democraticamente eleito conquistou quase toda a Europa e democraticamente eleito ordenou o holocausto, numa guerra onde morreram milhões e milhões de Europeus.

Conclusão óbvia: – As eleições, mesmo as “democráticas”, valem o que valem. Nesta 2ª Guerra Mundial não morreram Portugueses em combate. Sabe o Exmo. Senhor a quem deve tal feito: – Pois é! Ao tal que não foi democraticamente eleito.

· Sabe o Exmo. Senhor os esforços diplomáticos que foram feitos para evitar a entrada de Portugal na Guerra?

· Sabe quem gizou diariamente a estratégia? Sabe os riscos que corremos? As pressões que sofremos?

· Estimará quantos portugueses teriam morrido se tivéssemos entrado briosamente no conflito? Muitos de nós hoje não estaríamos cá, pois os nossos pais ou avós teriam certamente tombado em combate!

· Sabe o estado em que Salazar herdou o país após a espantosa 1ª República, em que estávamos mais endividados que hoje?

· Sabe a que estado de miséria a que chegou o povo que em 1928 abominava os partidos políticos, os quais considerava como os criminosos responsáveis pelo estado de ruína a que o país se encontrava, e que hoje estamos igualmente em idêntico estado de ruína por causa dos partidos que tanto gosta e defende?

· Sabe quem delineou, pela primeira vez, a viragem para a actual U.E.?

Pois é: – O tal que não foi democraticamente eleito. Vá verificar, caro amigo. Leia.

Sabe quem nunca fez obra? O que mandou construir a Ponte sobre o Tejo, a barragem de Castelo de Bode, o Aeroporto da Portela, e muito mais com dinheiro que nunca pediu emprestado como agora a estação de TV onde manda bacoradas o pede para lhe pagar.

Sabe quem nunca abandonou 1 milhão de Portugueses nas ex-colónias à sua sorte/morte? Pois é, pois é. Fácil foi fazer como se fez a seguir ao 25 de Abril. Fugir é sempre fácil. Além de ser próprio dos fracos e dos cobardes que também o é, se assim não fosse não se colocava do lado deles.

Sabe quem morreu na miséria, tendo servido a causa pública sem receber uma atenção, uma recompensa, um prémio, uma benesse, uma jóia, um diamante, que não se reformou após dez anos a roubar, sim, este nem sequer roubou, trabalhou uma vida inteira, os que agora defende roubam durante dez e reformam-se depois, não com uma mas duas ou três!

Sabe quem foi íntegro no exercício do poder? Pois é, pois é.

Se V. Exa. tem dúvida que Salazar ganharia todas as eleições durante o período que esteve no poder, está muitíssimo mal informado. Leia. Estude sobre a época. Que era alérgico a elas. Sem dúvida. E com razão, a meu ver.

Estude a 1ª República. Os governos que se sucederam. O desgoverno que se atingiu. Vem daí a alergia. E quanto à censura: – Pois. E a informação que temos hoje? Eu prefiro a censura do passado, evitaria ter de ler, por exemplo, o que tão infantilmente escreveu.

Numa palavra: Não escreva sobre o que não sabe. E ainda tem uma surpresa. Num país infestado pela corrupção, pela mediocridade e pela ambição desmedida pelo poder na busca da corrupção, eu, contrariado, votaria Salazar.

E não seria o único, e ganhava, garanto-lhe.

Leia e informe-se, a ignorância neste país é desmedida. Não fuja, pois, à regra.

Cumprimentos, azeiteiro

 

** ISTO SÃO FACTOS E NÃO CONVERSA FIADA:

Noutros tempos, houve Portugueses competentes e respeitadores dos interesses do bem público que garantindo a Lei e a Ordem, trabalharam afincadamente e em apenas 40 anos, deixaram OBRA, PAGA COM DINHEIRO PORTUGUÊS, mas, em muitos casos, foram “pérolas a porcos”.

Segue-se uma “pequena” Lista de Obras de Grande Interesse Nacional que ficaram desse período memorável.

Na Região de Lisboa:

1) Bairro Social do Arco do Cego.

2) Bairro Social da Madre de Deus.

3) Bairro Social da Encarnação.

4) Bairro Social de Caselas.

5) Bairros para Polícias.

6) Bairro de Alvalade.

7) Aeroporto Internacional da Portela.

8) Instituto Superior Técnico.

9) Cidade Universitária de Lisboa.

10) Biblioteca Nacional.

11) Instituto Nacional de Estatística.

12) Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

13) Metropolitano de Lisboa.

14) Ponte Salazar.

15) Captação e encanamento das águas do Alviela (comemorada com a construção da Fonte Luminosa na Alameda Afonso Henriques).

16) Plantação do Parque florestal de Monsanto.

17) Estádio Nacional do Jamor.

18) Estádio 28 de Maio.

19) Auto estrada da Costa do Estoril.

20) Hospital Escolar de Santa Maria.

21) Instituto Ricardo Jorge.

22) Instituto de Oncologia.

23) Hospital Egas Moniz.

24) Assistência Nacional aos Tuberculosos o que permitiu a obrigatoriedade do rastreio anual às populações estudantil, do Comércio e da Função Pública.

25) Electrificação da linha do Estoril.

26) Exposição do Mundo Português que permitiu a criação da Praça do Império, hoje Sala de visitas de Lisboa.

27) Monumento aos Descobrimentos.

28) Regularização da Estrada Marginal Lisboa-Cascais.

29) Criação da Emissora Nacional de Radiodifusão.

30) Criação da Radiotelevisão Portuguesa incluindo a instalação das respectivas antenas retransmissoras necessárias para cobrir todo o território continental.

31) Criação da Companhia Aérea de bandeira (TAP).

32) Nova Casa da Moeda (no Arco do Cego).

Espalhadas pelo País e Ilhas Adjacentes:

33) Várias Escolas do Magistério Primário.

34) Escolas primárias do Plano dos Centenários em quase todas as Freguesias do País.

35) Liceus Normais em todas as capitais de Distrito.

36) Escolas Comerciais e Industriais espalhadas de Norte a Sul do País

37) Cidade Universitária de Coimbra (Faculdade de Medicina, Faculdade de Letras, Faculdade de Ciências, Biblioteca Geral e o reordenamento urbano envolvente)

38) Hospital de S. João no Porto

39) Laboratório de Física e Engenharia Nuclear (na Bobadela – Sacavém) para onde se adquiriu e instalou um reactor atómico de investigação, tornando Portugal no 35º país do Mundo (à época) a dispor de tão moderno equipamento científico.

40) Ponte da Arrábida

41) Ponte Marechal Carmona

42) Construção dos grandes aproveitamentos hidroeléctricos com dezenas de grandes Barragens (por exemplo Rabagão, Cávado, Douro, Mondego, Zêzere e Tejo).

43) Construção de várias barragens para regadio e recreio, nomeadamente nas Beiras (como, por exemplo, na Vila de Soure) e por todo o Alentejo.

44) Melhoria geral de toda a rede Rodoviária Nacional.

45) Melhoria geral da Rede Ferroviária e modernização geral das viaturas do Caminho-de-ferro.

46) Melhoria, ampliação e renovação, em todo o território, da Rede Telefónica Nacional, Estações de Correios e Telecomunicações em geral.

47) Bases aéreas (Ota, Montijo, Monte Real, Beja, etc.)

48) Base naval da Marinha (Alfeite)

49) Navio hospital “Gil Eanes” de apoio à Frota Bacalhoeira

50) Criação das Casas do Povo

51) Criação das Casas dos Pescadores

52) Construção e beneficiação de muitos e diversos Hospitais, (damos como ex. o Hospital Rovisco Pais (Leprosaria) na Tocha (com dezenas de edificações espalhadas por uma área total de 110 ha) aproveitando integralmente uma doação do grande benemérito e o Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid (próximo de Coimbra) com 15 edifícios espalhados por uma área de 10 ha, só para citar dois).

53) Plano de colonização interna que permitiu grandes desenvolvimentos agrários em vários pontos quase desabitados do País como, por exemplo, Pegões.

54) Construção de dezenas de Palácios da Justiça e remodelação de muitos Tribunais

55) Construção e remodelação de diversos Edifícios Prisionais e Prisões-escola

56) Construção da Central Termoeléctrica do Carregado

57) Criação dos “Livros únicos” para o Ensino Primário e Secundário, o que proporcionou grandes economias às Famílias portuguesas da época

58) Criação das Pousadas de Portugal espalhadas por todo o Território

59) Criação da FNAT

60) Instituição do ABONO DE FAMÍLIA

61) Instituição da ADSE

62) Acolhimento fraterno e seguro a inúmeros refugiados de guerra dos quais se destaca o Sr. Calouste Gulbenkian que, em agradecimento desse bom acolhimento, doou a Fundação com o seu nome, que tanto tem ajudado e cultivado sucessivas gerações de Portugueses nos mais diversos ramos do Saber e da Arte.

Quando me dizem que tudo isto foi feito à custa da exploração ultramarina, eu respondo:

E o que lá ficou edificado e a seguir destruíram ou não souberam conservar?

Não ficaram inúmeros autóctones com cursos escolares primários, cursos médios e cursos universitários ministrados e pagos pelo Erário Público Português?

Não ficaram todas as Províncias Ultramarinas e nomeadamente Angola e Moçambique dotados de dezenas de CIDADES COMPLETAS onde se incluíam toda a espécie de edifícios habitacionais, Mercados, Redes de abastecimento de águas, Redes de efluentes, Escolas primárias, Liceus, Universidades, Hospitais, Quarteis e toda a espécie de instalações militares e até unidades completas de Radiodifusão?

Não ficaram disseminadas pelos territórios inúmeras Pontes e Viadutos, Barragens grandiosas (como Cambambe e Cabora Bassa, só para citar duas), inúmeras Estradas, diversas Linhas de Caminhos de Ferro, Portos de mar e modernos (à época) Aeroportos e Aeródromos, etc.?

Para quem recebeu um País na Bancarrota, que atravessou as épocas difíceis da Guerra Civil de Espanha e da 2ª Guerra Mundial e teve ainda de enfrentar a Guerra do Ultramar, em três frentes, tendo deixado o País A CRESCER A 6% AO ANO, durante a sua última década de governação e muito mais de 600 toneladas de ouro nas reservas do Estado, é Obra!

** Comparem com os dias de hoje, depois de quase 50 anos de LIBERDADE!

Já no tempo de Jesus foi perguntado ao povo quem deviam salvar: o ladrão Barrabás ou Jesus Cristo e o povo escolheu o ladrão…………….. * Dois mil e vinte anos depois a história repete -se… como podiam hoje salvar Salazar e reconhecerem a sua obra? O povo aplaude e vota em ladrões, agora chamados CORRUPTOS.

Cada um tem o que merece mas que é triste, lá isso é!

Pedro Faria Blanc


 

 


quarta-feira, 22 de julho de 2020

ATERRADORA PROFECIA JÁ EM DESENVOLVIMENTO!

Uma profecia feita com a lucidez e o realismo de António Barreto. A LER com atenção e a PARTILHAR, pois é deveras preocupante e já se encontra em desenvolvimento na Europa e no Mundo.
António Barreto no jornal Público sobre a revisão da História.

 

Ainda não vimos nada!

É triste confessar, mas ainda estamos para ver até onde vão os revisores da História. Uma coisa é certa: com a ajuda dos movimentos anti-racistas, a colaboração de esquerdistas, a cobardia de tanta gente de bem e o metabolismo habitual dos reaccionários, o movimento de correcção da História veio para ficar.

Serão anos de destruição de símbolos, de substituição de heróis, de censura de livros e de demolição de esculturas. Até de rectificação de monumentos. Além da revisão de programas escolares e da reescrita de manuais.
Tudo, com a consequente censura de livros considerados impróprios, seguida da substituição por novos livros estimados científicos, objectivos, democráticos e igualitários. A pujança deste movimento através do mundo é tal que nada conseguirá temperar os ânimos triunfadores dos novos censores, transformados em juízes da moral e árbitros da História.

Serão criadas comissões de correcção, com a missão de rever os manuais de História (e outras disciplinas sensíveis como o Português, a Literatura, a Geografia, o Meio Ambiente, as Relações Internacionais…), a fim de expurgar a visão bondosa do colonialismo, as interpretações glorificadoras dos descobrimentos e os símbolos de domínio branco, cristão, europeu e capitalista.

Comissões purificadoras procederão ao inventário das ruas e locais que devem mudar de nome, porque glorificam o papel dos colonialistas e dos traficantes de escravos. Farão ainda o levantamento das obras de arte públicas que prestam homenagem à política imperialista, assim como aos seus agentes. Já começou, aliás, com a substituição do Museu dos Descobrimentos pelo Memorial da Escravatura.

Teremos autoridades que tudo farão para retirar os objectos antes que as hordas cheguem e será o máximo de coragem de que serão capazes. Alguns concordarão com o seu depósito em pavilhões de sucata. Outros ainda deixarão destruir, gesto que incluirão na pasta de problemas resolvidos.

Entretanto, os Centros Comerciais Colombo e Vasco da Gama esperam pela hora fatal da mudança de nome.
Praças, ruas e avenidas das Descobertas, dos Descobrimentos e dos Navegantes, que abundam em Portugal, serão brevemente mudadas.
Preparemo-nos, pois, para remover monumentos com Albuquerque, Gama, Dias, Cão, Cabral, Magalhães e outros, além de, evidentemente, o Infante D. Henrique, o primeiro a passar no cadafalso. Luís de Camões e Fernando Pessoa terão o devido óbito. Os que cantaram os feitos dos exploradores e dos negreiros são tão perniciosos quanto os próprios. Talvez até mais, pois forjaram a identidade e deram sentido aos mitos da nação valente e imortal.

Esperemos para liquidar a toponímia que aluda a Serpa Pinto, Ivens, Capelo e Mouzinho, heróis entre os mais recentes facínoras. Sem esquecer, seguramente, uns notáveis heróis do colonialismo, Kaúlza de Arriaga, Costa Gomes, António de Spínola, Rosa Coutinho, Otelo Saraiva de Carvalho, Mário Tomé e Vasco Lourenço.

Não serão esquecidos os cineastas, compositores, pintores, escultores, escritores e arquitectos que, nas suas obras, elogiaram os colonialistas, cúmplices da escravatura, do genocídio e do racismo. Filmes e livros serão retirados do mercado.

Pinturas murais, azulejos, esculturas, baixos-relevos, frescos e painéis de todas as espécies serão destruídos ou cobertos de cal e ácido. Outras comissões terão o encargo de proceder ao levantamento das obras de arte e do património com origem na África, na Ásia e na América Latina e que se encontram em Portugal, em mãos privadas ou em instituições públicas, a fim de as remeter prontamente aos países donde são provenientes.

Os principais monumentos erectos em homenagem à expansão, a começar pelos Jerónimos e pela Torre de Belém, serão restaurados com o cuidado de lhes retirar os elementos de identidade colonialista. Os memoriais de homenagem aos mortos em guerras do Ultramar serão reconstruídos a fim de serem transformados em edifícios de denúncia do racismo. Não há liberdade nem igualdade enquanto estes símbolos sobreviverem.

Muitos pensam que a História é feita de progresso e desenvolvimento. De crescimento e melhoramento. Esperam que se caminhe do preconceito para o rigor. Do mito para o facto. Da submissão para a liberdade.
Infelizmente, tal não é verdade. Não é sempre verdade. Republicanos, corporativistas, fascistas, comunistas e até democratas mostraram, nos últimos séculos, que se dedicaram com interesse à revisão selectiva da História, assim como à censura e à manipulação.

E, se quisermos ir mais longe no tempo, não faltam exemplos. Quando os revolucionários franceses rebaptizaram a Catedral de Estrasburgo, passando a designá-la por Templo da Razão, não estavam a aumentar o grau de racionalidade das sociedades. Quando o altar-mor de Notre Dame foi chamado de Altar da Liberdade caminharam alegremente da superstição para o preconceito.

E quando os bolchevistas ocuparam a Catedral de Kazab, em São Petersburgo e apelidaram o edifício de Museu das Religiões e do Ateísmo, não procuravam certamente a liberdade e o pluralismo. E também podemos convocar os Iconoclastas de Istambul, os Daesh de Palmira ou os Taliban de Bamiyan que destruíram símbolos, combateram a religião e tentaram apropriar-se tanto do presente como do passado.

Os senhores do seu tempo, monarcas, generais, bispos, políticos, capitalistas, deputados e sindicalistas gostam de marcar a sociedade, romper com o passado e afastar fantasmas. Deuses e comendadores, santos e revolucionários, habitam os seus pesadelos. Quem quer exercer o poder sobre o presente tem de destruir o passado.
Muitos de nós pensávamos, há cinquenta anos, que era necessário rever os manuais, repensar os mitos, submeter as crenças à prova do estudo, lutar contra a proclamação autoritária e defender com todas as forças o debate livre.

É possível que, a muitos, tenha ocorrido que faltava substituir uma ortodoxia dogmática por outra. Mas, para outros, o espírito era o de confronto de ideias, de debate permanente e de submissão à crítica pública.

O que hoje se receia é a nova dogmática feita de novos preconceitos. Não tenhamos ilusões.

Se as democracias não souberem resistir a esta espécie de vaga que se denomina libertadora e igualitária, mergulharão rapidamente em novas eras obscurantistas.


 

 

 


sábado, 25 de abril de 2020

Uma pequena reflexão sobre a revolução de Abril para pôr alguns pontos no is (25Abril74)

Depois de mais uma malfadada celebração da revolução de Abril, não posso deixar passar este mês sem um desabafo sobre esta matéria. Um desabafo que me sai do coração e que não é mais do que um testemunho de revolta desprovido de qualquer intenção que não seja a partilha de verdade e não de uma lenda épica que parece começar a eternizar-se.

Eu vivi a revolução de Abril em Angola, por isso algo distante dos acontecimentos na metrópole. Estava cumprindo uma comissão de serviço como capitão miliciano, no comando duma companhia regional (cerca de 95% eram angolanos).

Fiz o curso de capitão miliciano, em Mafra. Após finalizar o curso com sucesso fui enviado para Angola para cumprir uma comissão de serviço (Jan/73 a Jan/75).

A missão principal da minha companhia era de dar protecção a uma Fazenda de produção de café. Também dávamos apoio de vária ordem, sobretudo paramédico, às populações das proximidades (sanzalas). A minha tropa tinha vários soldados familiares de militares da FNLA e MPLA. Praticamente já não havia guerra em Angola.

Eu tinha informações de que o “inimigo” nunca faria mal à nossa companhia, pelo contrário, muito apreciavam o nosso trabalho humanitário junto das populações nativas locais.

Naturalmente que na minha convivência com alguns oficiais do quadro permanente, nomeadamente capitães, notava, na maior parte das vezes, que havia discordância, insatisfação e inveja em relação à nossa situação de capitães milicianos formados em menos tempo do que os oficiais do Quadro Permanente. Eramos apelidados depreciativamente de “maçaricos”.

Como consequência, a insatisfação que daí advinha, e não só, por parte de alguns militares do quadro permanente, deu origem a reuniões clandestinas destes oficiais para debater e refutar, de alguma maneira, a situação que se vivia e que, no seu entender, não lhes era favorável. Eram poucos os capitães com coragem de ir para as frentes de combate e o governo terá aprovado uma lei que com dois anos de Academia Militar os milicianos eram promovidos a Capitães do Quadro, com data promoção que, nalguns casos, ultrapassava pessoal com o curso completo. Os oficiais das FA não queriam que os oficiais milicianos pudessem passar ao Quadro Permanente sem frequentarem a Academia Militar durante o mesmo número de anos e queriam mais e melhor remuneração.

Começa, assim, a formar-se uma corporação interna nas Forças Armadas, habilmente aproveitada pela URSS através da sua filial Portuguesa, o PCP. Tudo isto foi também aproveitado por muitos oficiais milicianos ligados ao PCP, que nos QGs terão ajudado a promover a revolução.

Torna-se, portanto, evidente que, inicialmente, os verdadeiros motivos dos capitães para a sua revolução (insurreição, mais propriamente dita, a que os comunistas, incitadores e oportunistas, chamaram de revolução) se fundamentavam em invejas e interesses pessoais que violavam o que deveria ser o espírito de uma genuína revolução para defesa da Nação e da liberdade democrática.

Assim, o 25 de Abril, iniciado por um grupo de capitães insurrectos e, talvez, sem completa noção da consequência dos seus actos, movidos por interesses da sua classe, suportados e impulsionados pelo maléfico, insidioso, desleal e traiçoeiro PC, foi feito, ao fim e ao cabo, para entregar Angola à URSS e seus aliados, tudo em consonância com os EUA. Por isso o MFA se apoiou no único partido organizado, o PC, e daí as cedências que lhes fez posteriormente. Era uma maçada, a guerra estava ganha em 1973 (Angola) e só de uma maneira ínvia se poderiam satisfazer as comissões da "entrega". Daí o “golpe dos capitães” de Abril hipocritamente elaborado com a máscara da liberdade.

Conclusão: Árvore que nasce podre não pode dar bons frutos.

Por tudo isto e, principalmente, pelos milhares de Portugueses que foram deixados ao abandono e chacinados nas colónias (já para não falar dos cerca de 2 milhões de africanos que vieram a morrer nas guerras que se seguiram), o 25 de Abril, traz-me sempre uma amargura muito grande.

Lembrar-me que os terroristas da FNLA assaltavam as fazendas dos brancos assassinando-os barbaramente, decepando-lhes as cabeças, e, depois, espetavam-nas em paus cantando e dançando à sua volta.

Lembrar-me que traidores, que são muitos, como um tal “alegre” que foi membro do movimento nacionalista angolano mais sanguinário de todos (FNLA de Holden Roberto) e que foi no peito deste terrorista que o Presidente de todos os Portugueses colocou, há tempos, uma medalha, dá-me náuseas.

Uma revolução, quando triunfa, serve para mudar as mentalidades, corrigir o que até então estava errado e melhorar o que seguia bem. Ora, em 74 e nos anos que se seguiram ao golpe dos capitães, o que assistimos foi a um assalto às instituições do Estado Português e à propriedade privada — coisa própria de insurreições comunistas —, assalto esse que se agudizou com a chegada dos fundos comunitários provenientes da UE, o que deu origem a que Portugal atingisse a indesejável 1ª posição dos países mais corruptos da dita União.

Moral da história: os interesses do povo de Portugal, do povo trabalhador, foram descurados, não é com salários mínimos de miséria que se alcança a tão propalada equidade, pois cada vez há ricos a ficarem mais ricos e pobres a ficarem ainda com menos. A manutenção é uma desgraça, como se viu em Pedrógão e arredores, no caso das florestas, nos quartéis, como pudemos ver em Tancos, nas estradas, como se comprovou com o aluimento da Pedreira de Borba, enquanto a corrupção já entrou de tal modo nos hábitos dos governantes, que ninguém reage ao facto de terem "desaparecido" 67 milhões de euros da recolha feita para ajudar as famílias das muitas dezenas de vítimas mortais dos incêndios e para a reconstrução das casas ardidas, animais, equipamentos agrícolas de toda a espécie, ou de cinco magistrados estarem acusados de terem aceitado montantes elevados de dinheiro para fornecerem informações aos prevaricadores ou mesmo para os absolverem.

Tudo isto o Covid-19 esbateu, menos a gravidade desses comportamentos. Mas por que aconteceu tudo isto? Porque uma democracia não se constrói com o PC lá metido, por ser totalitário, ou seja, contrário ao espírito de um regime veramente democrático, e com partidos da extrema-esquerda que, depois de terem sido postos em sentido pelo coronel Jaime Neves e os seus Comandos em Novembro de 75 (mais tarde veio a ser promovido a major-general com base no seu papel durante a defesa contra o Golpe de 25 de Novembro de 1975 que colocou um fim ao Processo Revolucionário em Curso, "tendo em conta o papel muito relevante que Jaime Neves teve para evitar que Portugal caísse numa ditadura comunista", além de "garantir que Portugal seguia no sentido do pluralismo, da democracia e da liberdade de expressão"), regressaram, de mansinho, 24 anos mais tarde, sob a capa de um "Bloco de Esquerda", que mais não pretende do que instaurar uma ditadura do proletariado, coisa que naquela data se preparava para levar a cabo.

E pronto, falar do 25/4 é muito inconsequente porque os traidores que o levaram a cabo terminaram com a independência de uma das nações mais antigas da Europa e a união desta pôs-lhe um termo na soberania, como se tem abundantemente comprovado.

Isto parece-me suficiente para se ficar com uma ideia do que se passa no panorama político do nosso país.

Posto isto, entendo que é de uma hipocrisia desmedida e patética continuar-se a celebrar a revolução de Abril, sobretudo do modo como tem sido feito.

Tenho dito.

CCA

(25/04/2020)




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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Eanes, o mais velho


A vida não acaba na escola, num quartel, em qualquer palácio, mesmo que em Belém. Um homem vai pela vida e pode tornar-se, produto de experiências várias, numa referência colectiva.


1.   Em África, no continente onde a Humanidade foi detectada em primeiro lugar, o papel do mais velho ainda hoje é especialmente valorizado. Pese a globalização e as alterações por ela introduzidas no seio das comunidades tradicionais, a idade continua a funcionar como atestado de conhecimento e sabedoria. As famílias têm o seu mais velho. Os países também. E é de lá que nos chega a frase: “um velho que morre é uma biblioteca que arde”.

 

Na Europa, imersa no labirinto do hedonismo, esse papel foi sendo perdido. É bastante mais sonorizado o estéril soundbyte de um protagonista da moda, seja qual for o sector de actividade, do que a reflexão produzida por uma experiência de vida. São poucos os homens mais velhos que escapam a esta lei. Talvez por isso tenha sido especialmente reconfortante a curta entrevista de Ramalho Eanes, na noite da passada quarta-feira, na RTP, concedida à jornalista Fátima Campos Ferreira.

 

2.   O ex-Presidente da República não nos trouxe nenhuma informação relevante. Não nos deu qualquer novidade económica ou financeira. Não mostrou possuir o segredo para a vacina do coronavírus. E, no entanto, aqueles 30 minutos foram extraordinários, pelo humanismo, pela sensibilidade, pela sabedoria, pela capacidade de falar em amor e sofrimento a propósito da liderança, social e política, de trazer para a primeira linha a defesa da dignidade do homem e da mudança que é necessária para construir um novo mundo, mais solidário. Era um exercício difícil. Poderia redundar numa peça piegas. Acabou num fantástico momento de televisão, útil para o país, onde o sentimento aflorou mas não abafou a lição.

 

3.   Convém lembrar aos mais novos que Ramalho Eanes nem sempre foi este ser humano que agora podemos escutar. E isso acrescenta valor ao percurso do homem.


O General que recusou ser Marechal; que prescindiu de um milhão e 300 mil euros de retroactivos de uma reforma a que tinha direito; que presidiu a Portugal durante dez anos (entre 1976 e 1986); que a História tornou no militar mais importante do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, fundador da Democracia; que recebeu condecorações de mais 20 países; que inspirou e dirigiu um partido (o PRD) sobre uma defesa da ética que obviamente esbarrou na fragilidade humana, e por isso se extinguiu; que levanta a voz contra a corrupção porque não admite que se mate assim um ideal – esse Homem nem sempre foi capaz de comunicar desta forma.

 

Também aí esta entrevista revela um percurso. O militar tímido, corajoso, capaz de “andar à estalada” na rua numa campanha política e que pedia conselhos para enfrentar as conversas de Estado nas cerimónias solenes da sua mais mediática missão, deu origem a este Ramalho Eanes que Portugal pode e deve ouvir com atenção, porque ele é capaz de ensinar humanidade, de transmitir esperança, de comover pela dignidade, pelo sentido que dá ao existir, de nos fazer pensar sem vergonha dos sentimentos.

 

4.   A vida não acaba na escola, num quartel, em qualquer palácio, mesmo que em Belém. Um homem vai por essa vida e pode tornar-se, produto de experiências várias, numa referência colectiva, numa pessoa ainda melhor. Ramalho Eanes concluiu um doutoramento, em Navarra, já passava dos 70. Hoje tem 85. E dá-nos lições. Venham outras.

 

João Marcelino

03/Abril/2020




 

 

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